sábado, maio 28, 2005

NAUFRÁGIO

Não era por mal...
A onda que vinha
não vinha por mal.

Mas veio, mas veio...
E logo a barquinha
partiu pelo meio.

Nem homens, nem velas.
-: Quanto a bordo ia,
com fé abalara,
morreu já sem ela.

Mas, se a onda veio,
não veio por mal:
era irmã daquela
que chegou à praia,
que embala barquinhos
de meninos pobres.

Os meninos brincam.
Navegam em barcos
feitos de cortiça,
feitos de jornal.
Quase à mesma hora,
longe, os pais naufragam
sem nenhuma ajuda.

Mas não é por mal...
Cabo da Boa Esperança, Sebastião da Gama